domingo, 18 de abril de 2010

ECG Normal


CARACTERÍSTICAS DO ECG NORMAL

ONDA P

  • Onda de ativação atrial.
  • Arredondada, de pequena amplitude e que precede imediatamente todos os complexos QRS.
  • Duração: Crianças: 0,06 a 0,09s\ Adultos: 0,08 a 0,11s
  • Amplitude: 0,25 a 0,30 mV.
  • Polaridade: (+) em D1, D2, D3, aVF (98%), aVL, V2 a V6.(-) em aVR sempre.Pode ser difásica em V1 (10 a 54% dos casos)
  • O vetor médio de despolarização atrial orienta-se para a esquerda, para baixo e em paralelo ao plano frontal.
  • O eixo elétrico de ativação atrial situa-se entre 0 e 90º, próximo de 60º.

SEGMENTO PR

  • É o segmento da linha de base ou isoelétrica, que conecta o final da onda P ao início do complexo QRS.
  • Corresponde ao intervalo de tempo em que o estímulo leva para alcançar os ventrículos após a despolarização atrial.

INTERVALO PR

  • É o intervalo de tempo medido entre o início da onda P e o início do QRS.
  • Corresponde ao tempo que o impulso cardíaco leva para despolarizar os átrios, percorrer as vias de condução internodais, o nódulo AV, o feixe de Hiss e ramos até alcançar os ventrículos.
  • Varia de um mínimo de 0,12s a 0,20 s.
  • É menor na taquicardias e maior na bradicardias.

COMPLEXO QRS

  • Corresponde à despolarização ventricular.
  • É uma deflexão de morfologia espiculada e de inscrição contínua.
  • Discretos espessamentos no ramo inicial ou final, em uma ou outra derivação não tem significado patológico.
  • Duração normal: Até 0,12 s.
  • Amplitude: Variável de acordo com a derivação.
  • Eixo elétrico no plano frontal: de -30º a 120º. É influenciado pela idade, porte físico e gordura corporal.

DEFLEXÃO INTRINSECÓIDE (TEMPO DE ATIVAÇÃO VENTRICULAR)

  • É a medida de tempo decorrida entre o início do complexo QRS até o cume da onda R.
  • Medida apenas em V1 ou V2 e V5 ou V6.
  • Em V1 o valor normal é de até 0,35s e em V6 de até 0,55s.

ONDA Q (A ANÁLISE DEVE SER CUIDADOSA)

  • Pode ser vista nas derivações da esquerda, D1, aVL, V5 e V6, onde a onda Q representa o vetor de ativação septal normal (vetor 1), que ocorre da esquerda para a direita.
  • Ondas Q fisiológica devem ter duração de até 0,03s.
  • Ondas Q patológicas tem duração maior que 0,04s e/ou com amplitude superior a um terço do complexo QRS.
  • Quando presente nas derivações V1 e V2 deve sempre ser considerada anormal.

PONTO J

  • É o ponto que marca a junção entre o final da deflexão QRS e o início do segmento ST.
  • O ponto J deve estar ao nível da linha isoelétrica de base do traçado.

SEGMENTO ST

  • Fase inicial da repolarização ventricular.
  • Em geral é isoelétrico, mas pode apresentar pequena elevação (Supra-desnivelamento) menor que 1mm nas derivações do plano frontal.
  • O segmento ST não deve seguir uma linha horizontal, deve descrever uma curva sigmóide até a onda T.
  • Em pessoas normais é incomum haver infra-desnivelamento superior a 0,5mm.
  • A princípio, qualquer desnível do segmento ST, seja para baixo ou para cima da linha de base, deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode corresponder ao IAM.

ONDA T

  • Representa a repolarização ventricular.
  • Geralmente é positiva onde o QRS é positivo, exceto em V1 e V2.
  • De V1 a V6 sua amplitude tende a aumentar a medida que aumenta a amplitude da onda R.
  • Amplitude normal: Até 5mm nas derivações do plano frontal ou 10mm nas derivações precordiais(V1 a V6).
  • Em geral tem amplitude menor que o QRS.
  • Forma normal: Arredondada, ligeiramente assimétrica, com fase ascendente mais lenta que a descendente.
  • Eixo de T: Na maioria das pessoas situa-se entre 0 e 90º.
  • Em geral não se mede a duração da onda T.

INTERVALO QT

  • Medido do início do complexo QRS até o final da onda T.
  • É a medida do tempo total da sístole elétrica do coração.
  • Varia com a FC, sexo e idade.
  • Como varia com a FC, calcula-se o QT corrigido( QTc=iQT/raiz quadrada de RR).
  • QTc tem valor mínimo de 0,3s e valor máx. de 0,40s em homens e 0,44s nas mulheres.
  • Prolongamento do iQTc predispõe ao aparecimento de fenômeno R sobre T, que pode desencadear taquicardia ventricular.
  • Aumento de QTc: Vagotomia, idade avançada, ICC, infarto, hipocalcemia, uso de quinidida e hipopotassemia.
  • Diminuição do QTc: Hipercalcemia, hiperpotassemia, uso de digital.

ONDA U

  • Corresponde à repolarização tardia das fibras de Purkinje.
  • Mais evidente em V3 e V4.
  • Tem a forma arredondada, a duração é curta e a amplitude pequena. O inverso, isto é, duração e amplitude aumentadas, correlacionam-se com hipopotassemia severa.
  • Pode ser negativa quando há sobrecarga ventricular esquerda ou isquemia.
  • Fica mais proeminente quando há bradicardia.
  • Numa mesma derivação, a polaridade da onda U deve ser coincidente com a polaridade da onda T. Polaridade diferente é sinal de anormalidade, como a insuficiência coronariana.

RESUMINDO: ECG normal é aquele em que o traçado se apresenta com todas as ondas, P, QRS e T, interrelacionadas, de morfologias e duração normais, com intervalos PR e QT normais, com os espaços entre as espículas R-R dos complexos QRS iguais entre si e com os segmentos PR e ST nivelados na linha de base. É necessário a análise cuidadosa de cada evento elétrico em todas as derivações, sem exceção, para que se possa concluir pela normalidade do ECG.

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