sábado, 15 de maio de 2010

BAV DE 3º GRAU


Critérios diagnósticos:

• Ondas P sempre em maior número, não seguidas e independente dos QRS/T(quebra do enlace A/V).
• Observa-se pseudo-IPR, muito diferentes entre si.
• QRS estreito indica que o foco ectópico subsidiário se origina em regiões acima da bifurcação do feixe de Hiss, e a freqüência ventricular varia entre 40 e 60 bpm. QRS largo com morfologia de bloqueio de ramo, indica que o foco ectópico subsidiário se origina abaixo da bifurcação do feixe de Hiss, nas fibras ventriculares, a freqüência ventricular está muito lenta, em geral abaixo de 40 bpm.
• O ritmo ventricular é, usualmente, regular.

BAV DE 2º GRAU: MOBITZ II


Critérios diagnósticos:

• Eventuais ondas P não seguidas de QRS/T.
• Os IPR dos impulsos conduzidos são fixos. Deve-se comparar os intervalos de 2 ciclos que antecedem a onda P bloqueada com outros tantos que a sucedem.
• Os intervalos R-R são regulares.
• Em geral, o complexo QRS apresenta padrão de bloqueio de ramo.

BAV DE 2º GRAU: MOBITZ I


Critérios diagnósticos:

• Eventuais ondas P não seguidas de QRS/T ( a característica do BAV de 2º grau).
• Os IPR dos impulsos conduzidos são variáveis, aumentado a cada ciclo elétrico, entretanto, com incrementos cada vez menores.
• O menor IPR corresponde ao complexo que sucede a onda P bloqueada e o maior IPR ao complexo que antecede a onda P bloqueada.
• O intervalo R-R que contém a onda P bloqueada é menor que o dobro do intervalo R-R entre os dois últimos impulsos conduzidos. Os intervalos R-R são progressivamente menores a cada ciclo.

BAV DE 1º GRAU


Critérios diagnósticos:

• Prolongamento do IPR > 200 ms, permanecendo constante em cada traçado.
• Ritmo cardíaco supraventricular.
• Relação A/V: 1:1

BLOQUEIOS ATRIOVENTRICULARES


BLOQUEIOS ATRIOVENTRICULARES (BAVs)

Conceito: BAV define o distúrbio de condução do impulso cardíaco localizado em qualquer nível do sistema de condução atrioventricular. Traduz-se por um atraso de propagação ou por um impedimento total do impulso supraventricular em ativar os ventrículos.

Classificação:

Parcial ou Incompleto: BAV de 1º e 2º grau.
Total: BAV de 3º grau.

Distúrbio Pré-Hissiano: A alteração localiza-se ao nível intra-atrial ou nodal AV.
Distúrbio Intra-Hissiano: A alteração localiza-se ao nível do tronco do feixe de Hiss.
Distúrbio Pós-Hissiano: A alteração localiza-se ao nível dos ramos principais (ramo direito e esquerdo) ou no sistema Hiss-Purkinje.

BAV DE 1º GRAU

Conceito: Define o distúrbio no qual o impulso atrial sofre um retardo na sua condução aos ventrículos, de modo que o tempo de condução atrioventricular (IPR) está aumentado, maior que 200 ms. É fundamental para o diagnóstico observar que todos os impulsos sinusais são conduzidos aos ventrículos(relação A/V: 1:1), ou seja, no ECG toda onda P é seguida de QRS.

Critérios diagnósticos:

• Prolongamento do IPR > 200 ms, permanecendo constante em cada traçado.
• Ritmo cardíaco supraventricular.
• Relação A/V: 1:1

BAV de 1º grau pode ser considerada uma arritmia não maligna, pois cursa com estabilidade elétrica e raramente evolui para formas mais severas de BAV. O curso clínico e o prognóstico são favoráveis.


Causas: Aumento do tônus vagal em indivíduos sem doença cardíaca, efeito medicamentoso (digital, antiarrítmicos da classe I e III, betabloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio), IAM, cardite reumática aguda, cardiopatia congênita.

(1) FC: normal, entre 60 e 100 bpm.
(2) Ritmo: regular, intervalos R-R regulares.
(3) Onda P: morfologia sinusal.
(4) IPR: prolongado > 200 ms.
(5) QRS/T: QRS estreito com onda T normal.

BAV DE 2º GRAU

Conceito: Ocorre quando o impulso sinusal sofre, por vezes, uma interrupção total (ou bloqueio) na sua condução aos ventrículos. Traduz-se no ECG pela presença de uma ou mais ondas P não seguidas de QRS/T. A relação A/V deixa de ser 1:1.

Critérios diagnósticos:

• Eventuais ondas P não seguidas de QRS/T.
• Ritmo cardíaco supraventricular.
• Relação A/V alterada.

Tipos:

BAV de 2º grau tipo MOBITZ I ( IPR variável )
BAV de 2º grau tipo MOBITZ II ( IPR constante )
BAV de 2º grau tipo 2:1
BAV de 2º grau tipo Avançado


1) BAV de 2º grau tipo MOBITZ I

Critérios diagnósticos:

• Eventuais ondas P não seguidas de QRS/T ( a característica do BAV de 2º grau).
• Os IPR dos impulsos conduzidos são variáveis, aumentado a cada ciclo elétrico, entretanto, com incrementos cada vez menores.
• O menor IPR corresponde ao complexo que sucede a onda P bloqueada e o maior IPR ao complexo que antecede a onda P bloqueada.
• O intervalo R-R que contém a onda P bloqueada é menor que o dobro do intervalo R-R entre os dois últimos impulsos conduzidos. Os intervalos R-R são progressivamente menores a cada ciclo.

Causas: Aumento do tono vagal, ação medicamentosa, IAM, cardite reumática aguda.

(1) FC: normal, entre 60 e 100 bpm.
(2) Ritmo: irregular, determinado pelo BAV e pela pausa
(3) Onda P: morfologia sinusal. Eventuais ondas P não seguidas de QRS.
(4) IPR: diferentes entre si, aumentam progressivamente de duração até o momento do bloqueio do impulso, quando então os ciclos se repetem.
(5) QRS/T: QRS estreito com onda T normal.


2) BAV de 2º grau tipo MOBITZ II

Conceito: A condução do impulso sinusal para os ventrículos apresenta interrupções periódicas e totais e a intervalos regulares. A diferença entre Mobitz I e II, consiste que, nesta última, o tempo de condução AV nos impulsos é constante.

Critérios diagnósticos:

• Eventuais ondas P não seguidas de QRS/T.
• Os IPR dos impulsos conduzidos são fixos. Deve-se comparar os intervalos de 2 ciclos que antecedem a onda P bloqueada com outros tantos que a sucedem.
• Os intervalos R-R são regulares.
• Em geral, o complexo QRS apresenta padrão de bloqueio de ramo.

Causas: Doença aterosclerótica coronariana, IAM, a doença degenerativa dos feixes de condução e a cardiopatia chagásica.

(1) FC: freqüência ventricular é variável, em geral é lenta.
(2) Ritmo: irregular, determinado pelo BAV e pela pausa
(3) Onda P: morfologia sinusal. Eventuais ondas P não seguidas de QRS.
(4) IPR: São idênticos nos impulsos conduzidos.
(5) QRS/T: QRS usualmente com padrão de bloqueio de ramo e com onda T alterada.


3) BAV de 2º grau tipo 2:1

Conceito: Neste BAV de cada 2 impulsos sinusais 1 tem a sua condução bloqueada. No ECG há 2 ondas P para 1 QRS, mantendo-se constante esta relação.

BAV de 2º grau tipo 2:1 pode corresponder tanto ao tipo Mobitz I quanto ao Mobitz II.


4) BAV de 2º grau tipo Avançado

Conceito: Neste BAV a relação A/V é igual ou superior a 3:1. O tempo de condução AV nos impulsos conduzidos é constante, IPR com a mesma duração, denotando o enlace A/V. Este enlace classifica esta forma de bloqueio como de 2º grau, diferenciando-se do BAV de 3º grau.


BAV DE 3º GRAU

Conceito: Define a existência de um impedimento total a que o impulso atrial alcance e ative os ventrículos. Ocorre a quebra do enlace A/V. Não há mais a relação entre o ritmo atrial e o ventricular, estando os impulsos atriais independentes dos ventriculares.

O coração é comandado por 2 marcapassos, o primeiro localizado acima da área do bloqueio, usualmente sinusal, e o segundo abaixo da referida área, usualmente ventricular.

A freqüência atrial é sempre superior à freqüência ventricular, traduzindo-se no ECG por ondas P em maior número que os complexos QRS/T.

Critérios diagnósticos:

• Ondas P sempre em maior número, não seguidas e independente dos QRS/T(quebra do enlace A/V).
• Observa-se pseudo-IPR, muito diferentes entre si.
• QRS estreito indica que o foco ectópico subsidiário se origina em regiões acima da bifurcação do feixe de Hiss, e a freqüência ventricular varia entre 40 e 60 bpm. QRS largo com morfologia de bloqueio de ramo, indica que o foco ectópico subsidiário se origina abaixo da bifurcação do feixe de Hiss, nas fibras ventriculares, a freqüência ventricular está muito lenta, em geral abaixo de 40 bpm.
• O ritmo ventricular é, usualmente, regular.

Causas: Lesões degenerativas e fibrocálcicas dos feixes de condução AV, representandas pelas doenças de Lenegre e Lev, IAM, Insuficiência coronariana crônica, Miocardiopatias, Amiloidose, Sarcoidose, Amiloidose, Esclerodermia.

(1) FC: Freqüência atrial normal, entre 60 e 100 bpm e ventricular: lenta, próxima de 40 bpm.
(2) Ritmo: regular, os intervalos P-P e P-R são regulares.
(3) Onda P: Geralmente tem morfologia sinusal, estão em maior número e independentes dos complexos QRS/T
(4) IPR: inexiste, observa-se falsos IPR com duração variáveis.
(5) QRS/T: ritmo de feixe de Hiss, com QRS estreito com onda T normal; ritmo idioventricular, com QRS largo com onda T alterada.

Por vezes o BAVT ocorre em associação à fibrilação atrial, observando-se então no ECG as seguintes alterações: 1) Ausência de ondas P, substituídas ou não, pelo serrilhado polimórfico da linha de base, caracterizando a fibrilação atrial. 2) Ritmo ventricular regular, caracterizando o BAVT associado.


Referência bibliográfica:

GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

CURSO DE ELETROCARDIOGRAFIA VIRTUAL DA UNIFESP


Galera achei esse link de um curso de ECG da Universidade Federal de São Paulo, está muito boa a teoria, dêem uma olhada!

http://www.virtual.epm.br/material/tis/curr-bio/trab2003/g5/menu.html

domingo, 9 de maio de 2010

ARRITMIA SINUSAL RESPIRATÓRIA



A arritmia fásica ou respiratória relaciona-se a flutuações do tono vagal, podendo ser encontrada na criança e no adulto jovem normal.

No traçado observa-se um achado fisiológico em uma jovem saudável. A freqüência do marca-passo sinusal é lenta no início do traçado durante a expiração, para, então, aumentar durante a inspiração e novamente ficar mais lenta com a expiração.

ARRITMIAS CARDÍACAS SINUSAIS: ECG DE BRADICARDIA SINUSAL



Causas de bradicardia sinusal incluem:

Fisiologia normal em atletas,
Medicamentos (beta-bloqueadores),
Isquemia (normalmente inferior infarto do miocárdio com comprometimento da artéria do nó sinusal,
Hipotermia,
Hipotireoidismo.

ARRITMIAS CARDÍACAS SINUSAIS: ECG DE TAQUICARDIA SINUSAL



Possíveis condições associadas:

Exercício físico intenso,
Ansiedade,
O uso de álcool / cafeína,
Drogas (por exemplo, beta-agonistas, como a dobutamina),
Febre,
Hipotensão,
Hipóxia
A insuficiência cardíaca congestiva,
Hemorragia,
Anemia,
Hipertireoidismo,
Cardiomiopatia (com função ventricular esquerda reduzida e taquicardia compensatória)
e Miocardite.

Referência:

Borys Surawicz, Timothy K. Knilans; foreword by Douglas P. Zipes. Chou's electrocardiography in clinical practice. Philadelphia: Saunders, 2001. isbn:9780721686974.

ARRITMIAS CARDÍACAS SINUSAIS

ARRITMIAS SINUSAIS

Ritmo Cardíaco Sinusal: É o ritmo de base do coração que tem origem no nódulo sinusal. No ECG os ciclos se repetem de modo regular e uniforme. A configuração das ondas P-QRS-T e os intervalos PR e QT estão normais.

(1) FC: Variável, nos intervalos entre 60 e 100bpm
(2) Ritmo: Regular, os intervalos R-R são constantes.
(3) Onda P: (-) em aVR, (variável) em D3, aVL e V1, (+) nas demais.
(4) IPR: Variável nos limites de 120 a 200ms.
(5) QRS/T: QRS estreito e onda T de morfologia normal.


TAQUICARDIA SINUSAL

O marcapasso cardíaco é o sinusal com freqüência de disparo acima de 100bpm.

Resulta: Do aumento da atividade do sistema simpático, encontrado em indivíduos com ou sem cardiopatia subjacente. É observado nos episódios de ansiedade, excitação ou após exercício físico; após o uso de substâncias, tais como atropina, epinefrina, vasodilatadores, álcool, cafeína e nicotina, ou conseqüente a diversas enfermidades: infecções, anemia, febre, estados de choque, hipertireoidismo, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca, IAM.


BRADICARDIA SINUSAL

O marcapasso cardíaco é o sinusal com uma freqüência de disparo abaixo de 60 bpm.

Resulta: Do aumento da atividade do sistema parassimpático (vagal), observado na estimulação do seio carotídeo, do globo ocular, pela manobra de valsalva, durante vômitos ou sono, em atletas bem condicionados, após o uso de substâncias como digoxina, morfina, prostigmina, betabloqueador, ou em conseqüência a diversas enfermidades: mixedema, estados hipometabólicos, hipertensão endocraneana, doença do nódulo sinusal.


ARRITMIA SINUSAL

O marcapasso cardíaco é o sinusal, porém os impulsos são produzidos a intervalos de tempo variáveis, iguais ou superiores a 120 ms, tornando o ritmo cardíaco irregular. A arritmia sinusal é dita Fásica ou Respiratória quando se correlaciona aos ciclos respiratórios e Não-Fásica quando isso não ocorre. A arritmia fásica relaciona-se a flutuações do tono vagal, podendo ser encontrada na criança e no adulto jovem normal. A arritmia não-fásica geralmente associa-se à doença do nó-sinusal.

Estas 3 arritmias sinusais podem ser consideradas não-malignas, pois habituamente não induzem a deterioração hemodinâmica do paciente.


PARADA SINUSAL OU PAUSA SINUSAL

Ocorre a parada súbita e momentânea da atividade automática do nódulo sinusal.

Critérios diagnósticos:

• Ausência de ciclos elétricos completos(P-QRS-T)
• Paradas de durações variáveis que não são múltiplos exatos dos intervalos R-R do ciclo de base.
• Irregularidade do ritmo cardíaco, determinado pela pausa.

(1) FC: Aumentada na taquicardia, diminuída na bradicardia e habitualmente normal na arritmia sinusal.
(2) Ritmo: Regular na taquicardia e na bradicardia e irregular na arritmia sinusal. Nesta, os intervalos R-R tem variações iguais ou superiores a 120 ms entre si.
(3) Onda P: Presente, antecedendo todos os QRS.
(4) IPR: Variável, nos limites normais.
(5) QRS/T: QRS estreito e onda T de morfologia normal

Referência bibliográfica:

GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

CLASSIFICAÇÃO DAS ARRITMIAS QUANTO AO MECANISMO ARRITMOGÊNICO FUNDAMENTAL

ARRITMIAS POR DISTÚRBIOS NA FORMAÇÃO DO IMPULSO CARDÍACO

1. Por alteração do automatismo normal ao nível do nó-sinusal:

• Taquicardia sinusal
• Bradicardia sinusal
• Arritmia sinusal
• Parada Sinusal

2. Pela ocorrência de automatismo anormal, em que um foco ectópico assume o comando cardíaco, impondo-se ao nó-sinusal:

• Parassístole (Sinusal, Atrial, Juncional e Ventricular)

3. Por alteração do automatismo, em que um foco ectópico assume o comando cardíaco em conseqüência à depressão da atividade do nó-sinusal:

• Complexo de escape( Atrial, Juncional e Ventricular )
• Ritmo de escape ( Atrial, Juncional e Ventricular )
• Marcapasso migratório.


ARRITMIAS POR DISTÚRBIOS NA FORMAÇÃO E/OU NA CONDUÇÃO DO IMPULSO CARDÍACO

1. Por alteração no automatismo e/ou fenômeno de reentrada:

• Extra-sístole (Sinusal, Atrial, Juncional e Ventricular )
• Taquicardia Paroxística e Não-paroxística (Atrial, Juncional(Taquicardia reentrante atrioventricular nodal) e Ventricular)
• Flutter e Fibrilação( Atrial e Ventricular)
• Dissociação atrioventricular.


ARRITMIAS POR IMPEDIMENTO OU ACELERAÇÃO NA CONDUÇÃO DO IMPULSO CARDÍACO

1. Por impedimento parcial ou total da condução do impulso elétrico:

a) Ao nível do nó-sinusal:

• Bloqueio sinoatrial (1º,2º e 3º grau)

b) Ao nível dos átrios:

• Bloqueio intra-atrial

c) Ao nível da junção AV:

• Bloqueio atrioventricular(1º,2º e 3º grau)

d) Ao nível dos ramos do feixe de Hiss:

• Bloqueio de ramo direito(1º,2º e 3º grau)
• Bloqueio de ramo esquerdo(1º,2º e 3º grau)
• Hemibloqueio ou bloqueio fascicular.

2. Por aceleração da condução do impulso cardíaco:

• Síndrome de pré-excitação: Wolff-Parkinson-White e Lown-Ganong-Levine

Referência bibliográfica:

GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

ARRITMIAS CARDÍACAS


CONCEITO: Arritmia é definida como a ocorrência de qualquer alteração do ritmo cardíaco normal. Refere-se a qualquer distúrbio da freqüência, da regularidade, do local de origem ou da condução do impulso elétrico cardíaco.

As arritmias cardíacas estão divididas em dois grandes grupos, bradiarritmias e taquiarritmias, e apresentam diversos mecanismos responsáveis pela sua origem, os quais são divididos em três categorias: distúrbios da formação do impulso, distúrbios da condução do impulso ou distúrbios que associam ambas anormalidades.

As arritmias cardíacas nem sempre dependem de um único mecanismo para ocorrer, sendo, na maioria das vezes, causadas por uma conjugação de mecanismos.

A gênese das arritmias cardíacas depende de interações complexas entre substrato (infarto, fibrose, hipertrofia, anisotropia etc.), gatilhos (extra-sístoles) e fatores moduladores (sistema nervoso autônomo, eletrólitos, isquemia etc.). O intuito de conhecer os mecanismos eletrofisiológicos das arritmias cardíacas é possibilitar o desenvolvimento de novos tratamentos e aperfeiçoar os métodos diagnósticos não-invasivos e invasivos existentes a fim de localizar precisamente as anormalidades que acometem o ritmo cardíaco.

REFERÊNCIA:

http://themedicalden.com/atheneu/Cardoso/PDFS%20GRAFICA/Cap%2025.pdf

quarta-feira, 5 de maio de 2010

SÍNCOPE: ACHADOS ELETROCARDIOGRÁFICOS



CONCEITO:

Define-se Síncope como perda súbida e breve da consciência e do tônus postural com recuperação espontânea.

De maneira geral, todas as formas de síncope cursam com diminuição ou rápida interrupção do fluxo sanguíneo cerebral. Ela corresponde a mais de 3% de todas as consultas ao pronto-socorro, podendo ser uma condição benigna ou um marcador de grande risco de morte súbita.

ETIOLOGIA:

1) SÍNCOPE NEURALMENTE MEDIADA: Ocorre devido a alterações nos reflexos de bradicardia e\ou vasodilatação periférica. É a causa mais freqüente em qualquer estudo.

2) DEVIDO A ARRITMIAS.

3) POR DOENÇA ANATÔMICA OU ESTRUTURAL( CARDÍACA OU CARDIOPULMONAR)

4) CEREBROVASCULAR( SÍNDROME DE ROUBO DA SUBCLÁVIA)

5) IDIOPÁTICA.

As causas Cardíacas são responsáveis por 10 a 23% das síncopes, as Vasculares por 42 a 62% e a Idiopática por 5 a 20%.

O ECG tem baixa sensibilidade, consegue o diagnóstico da causa da síncope em até 5% dos pacientes ou sugere uma etiologia em outros 5%. A presença de alterações no ritmo podem elucidar o diagnóstico ou mesmo definir condutas imediatas ou auxiliar em investigação futura.

REFERÊNCIA:

Emergências clínicas : abordagem prática - 3.ed. MARTINS, Herlon Saraiva; Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Emergências clínicas: abordagem prática. 3.ed. ampl., rev. Barueri, SP: Manole, 2007.(PÁGINA 167)

TROMBOEMBOLISMO PULMONAR: ACHADOS ELETROCARDIOGRÁFICOS



O Tromboembolismo pulmonar (TEP) consiste na obstrução aguda da circulação arterial pulmonar pela instalação de coágulos sangüíneos, geralmente, oriundos da circulação venosa sistêmica, com redução ou cessação do fluxo sangüíneo pulmonar para a área afetada. Essas condições inter-relacionadas constituem o tromboembolismo venoso (TEV), no qual, a trombose venosa profunda (TVP) é o evento básico e o TEP, a principal complicação aguda.

O eletrocardiograma (ECG) não é um exame sensível ou específico para o diagnóstico de TEP.

Contribuem para seu baixo rendimento a presença de ECG normal, em pacientes com TEP (em até 30%), a possibilidade de desaparecimento rápido das alterações, dificuldades de interpretação em função de alterações secundárias a doenças cardiopulmonares pré-existentes.

As alterações eletrocardiográficas, na fase aguda do TEP, dependem do nível de gravidade da embolia e são, na maioria, inespecíficas. Entre tais alterações, podemos citar: flutter ou fibrilação atrial, onda P pulmonale, desvio do eixo para direita ou esquerda, bloqueio completo ou incompleto de ramo direito, complexos de baixa voltagem, depressão ou elevação do segmento ST e inversão da onda T.

A maioria dos pacientes (90%) com TEP apresenta ritmo sinusal. O padrão S1Q3T3 (presença de onda S em DI, presença de onda Q e inversão da onda T em DIII), descrito como clássico no TEP, não é muito freqüente, ocorrendo em menos de 12% dos casos, predominando naqueles de maior gravidade e conseqüentemente associados com disfunção ventricular direita.

Mesmo assim, o ECG tem um papel importante durante a investigação diagnóstica de TEP, pois auxilia na confirmação ou exclusão de importantes diagnósticos diferenciais, como o infarto agudo do miocárdio e a pericardite.

OBSERVEM NO ECG ACIMA OS ACHADOS DE TEP: Taquicardia sinusal com padrão S1Q3T3 (inversão da onda T em III), BRD incompleto e inversões da onda T nas derivações precordiais direitas característico de sobrecarga aguda de VD em um paciente com embolia pulmonar.


REFERÊNCIAS:

http://www.fmrp.usp.br/revista/1998/vol31n2/tromboembolismo_pulmonar.pdf

http://www.fmrp.usp.br/revista/2003/36n2e4/8tromboembolismo_pulmonar.pdf

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Traçado de SOBRECARGA BIATRIAL



Observe no traçado as características da sobrecarga biatrial:
Sobrecarga atrial esquerda:Em V1 há aumento do componente negativo da onda P correspondente ao átrio esquerdo e em V5 a onda P está com morfologia bífida, com entalhe, e duração aumentada.
Sobrecarga atrial direita: Em V2 onda P apiculada com amplitude aumentada (> 0,25mV)

EIXO HEXAXIAL DE BAYLEY

domingo, 18 de abril de 2010

ANATOMIA DAS ARTÉRIAS CORONÁRIAS




Referências:
Google imagens
http://www.scielo.br/pdf/rb/v39n3/a15v39n3.pdf

DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO DO INFARTO



DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO DA NECROSE

Necrose Ântero-Septal: Onda Q patológica em V1-V2-V3-V4.

Necrose Septal-Média (ou Septal): Onda Q patológica em V1-V2.

Necrose Septal-Baixa (ou Anterior Estrita): Onda Q patológica em V3-V4.

Necrose Ântero-Lateral (ou Lateral): Onda Q patológica em D1-AvL-V4-V5-V6.

Necrose Lateral-Alta: Onda Q patológica em D1-Avl.

Necrose Apical: Onda Q patológica em V5-V6.

Necrose Anterior-Extensa: Onda Q patológica em D1-aVL-V1 a V6.

Necrose Inferior ou Diafragmática: Onda Q patológica em D2-D3-aVF.

INFARTO ATRIAL


O complexo A encontra-se presente em um ECG normal.Em B e C o pontilhado corresponde ao segmento PR normal, na linha de base do traçado.
Diante de um infradesnivelamento do sPR (B) ou supradesnivelamento do sPR (C) a principal hipótese diagnóstica a ser considerada é o INFARTO ATRIAL.

PARA MELHOR ESCLARECIMENTO SOBRE O TEMA LEIA ESTE ARTIGO CONTENDO UM RELATO DE CASO!
http://publicacoes.cardiol.br/abc/1999/7203/72030007.pdf

Traçado 10 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: INFARTO ANTIGO DE PAREDE INFERIOR E LATERAL

Traçado 9 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: IAM DE PAREDE INFERIOR

OBSERVAÇÃO: NESTES CASOS DEVE-SE SOLICITAR V3R E V4R PARA EXCLUSÃO DE IAM DE VENTRÍCULO DIREITO DEVIDO AO FATO DE AMBAS PORÇÕES SEREM IRRIGADAS PELA ARTÉRIA CORONÁRIA DIREITA

Traçado 8 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: IAM DE PAREDE ANTERO-SEPTAL + BLOQUEIO COMPLETO DE RAMO DIREITO

Traçado 7 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: ISQUEMIA SUBEPICÁRDICA DE PAREDE ANTERIOR

Traçado 6 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: INFARTO ANTIGO DE PAREDE INFERIOR

Traçado 5 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: IAM DE PAREDE LATERAL ALTA + SOBRECARGA DE AE

Traçado 4 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: IAM DE PAREDE ANTERIOR-EXTENSA

Traçado 2 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: INFARTO ANTIGO DE PAREDE ANTERO-SEPTAL

Traçado 3 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: IAM ANTERIOR EXTENSO

Traçado 1 de SÍNDROME ISQUÊMICA



HD: ISQUEMIA SUBENDOCÁRDICA DE PAREDE ANTERIOR EXTENSA

SÍNDROMES ISQUÊMICAS



SÍNDROMES ISQUÊMICAS

• O ECG fornece de modo imediato um grande número de informações concernentes ao diagnóstico e ao grau de sofrimento miocárdico.
• Durante a fase aguda do comprometimento isquêmico, é praticamente certo que ocorram alterações no ECG.
• Insuficiência Coronariana: É a síndrome clínica decorrente de um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio pelo miocárdio, ocorre um estado de hipóxia miocárdica.
• Existe uma correspondência entre o grau de oclusão e o comprometimento tecidual, oclusão parcial acarreta alterações histológicas transitórias e reversíveis, denominadas de Isquemia e Lesão ou Injúria, e a oclusão total, na ausência de circulação colateral adequada, leva a alterações histológicas irreversíveis, denominadas de Necrose.
• Isquemia: Traduz-se no ECG por alterações da onda T (Alterações primárias de repolarização ventricular).
• Lesão ou Injúria: Traduz-se no ECG por alterações no sST.
• Necrose: Traduz-se no ECG por alterações no complexo QRS.

ISQUEMIA

Conceito: É um estado bioelétrico resultante de um certo grau de hipóxia miocárdica. É o primeiro estágio e o menos severo das alterações eletrocardiográficas na cardiopatia isquêmica.

Nesta fase, a hipóxia altera a permeabilidade da membrana celular, produzindo-se um distúrbio na regulação e no transporte iônico, especialmente do K. Por interferência da isquemia na bomba Na/K, ocorre o aumento do efluxo do íon K associado a um retardo em seu influxo, resultando em diminuição de sua concentração no meio intracelular.

O desequilíbrio na relação entre o K intra/ K extracelular, que então ocorre, determina o prolongamento da fase 3 e o alargamento do potencial de ação da célula isquêmica.

A alteração isquêmica está mais relacionada a distúrbios bioquímicos, do que a alterações propriamente histopatológicas, fato este que, provavelmente, é o determinante da reversibilidade ao normal desta alteração.

As alterações eletrofisiológicas na área isquêmica promovem um atraso no início e o prolongamento do processo de repolarização ventricular, que se fará de forma lenta, aumentando a duração da sístole elétrica.

O vetor que representa a isquemia “ foge da área comprometida “.

1) ISQUEMIA SUBEPICÁRDICA

Em condições normais, a repolarização ventricular inicia-se no epicárdio e dirige-se perpendicularmente à parede, para o endocárdio. O dipolo de repolarização tem a carga positiva voltada para o epicárdio, razão pela qual a onda de repolarização, onda T, é positiva em praticamente todas as derivações cardíacas.

Quando a isquemia predomina na região epicárdica, ocorre o atraso no início e o prolongamento da repolarização nesta região. Assim, a recuperação ventricular tem início no endocárdio, progredindo para o epicárdio, ou seja, o inverso do normal. Nesta circunstância, a carga elétrica negativa do dipolo encontra-se voltada para o epicárdio, razão pela qual a onda de repolarização, onda T, apresenta-se negativa nas derivações que exploram o epicárdio isquêmico. A onda T além de NEGATIVA, torna-se PONTIAGUDA, SIMÉTRICA E PROFUNDA.

Critérios diagnósticos:

• Onda T NEGATIVA, simétrica e profunda (ALTERAÇÃO PRIMÁRIA DE REPOLARIZAÇÃO VENTRICULAR ).
• Aumento do intervalo QT.

Estas alterações são classicamente presentes na fase aguda da isquemia, todavia, eventualmente pode-se observar onda T negativa, sem as demais características.

Paciente que apresenta previamente a repolarização alterada por onda T negativa, no decurso de um novo episódio de isquemia miocárdica pode mudar a polaridade desta onda, tornando-a positiva, simulando uma repolarização normal( pseudonormalização da onda T). Após a resolução deste quadro isquêmico, habitualmente, a onda T volta à sua polaridade inicial, negativa.

SIGNIFICADO CLÍNICO DA ISQUEMIA SUBEPICÁRDICA:

A isquemia subepicárdica é observada na insuficiência coronariana aguda e crônica. Nos crescimentos ventriculares sistólicos e nos bloqueios de ramos, ocorre a alteração secundária da repolarização ventricular, cuja morfologia diferencia-se do padrão isquêmico, pelo aspecto assimétrico da onda T.

2) ISQUEMIA SUBENDOCÁRDICA

Na isquemia subendocárdica ocorre o atraso no início e o prolongamento da repolarização na região endocárdica. Assim, a recuperação ventricular inicia-se no epicárdio e progride para o endocárdio, semelhante à repolarização normal. A carga elétrica positiva do dipolo encontra-se voltada para o epicárdio, portanto, a onda de repolarização, onda T, representa-se positiva nas derivações que exploram o endocárdio isquêmico, como observado normalmente.

Critérios diagnósticos:

• Onda T POSITIVA, simétrica e profunda (ALTERAÇÃO PRIMÁRIA DE REPOLARIZAÇÃO VENTRICULAR ).
• Aumento do intervalo QT.

SIGNIFICADO CLÍNICO DA ISQUEMIA SUBENDOCÁRDICA:

A isquemia subendocárdica é praticamente restrita a insuficiência coronariana, como observado na fase aguda da angina de peito ou no período imediatamente anterior ao IAM.

LESÃO OU INJÚRIA

Conceito: Consiste na persistência da hipóxia ao tecido miocárdico, produzindo-se alterações bioelétricas mais severas que as encontradas na isquemia, porém, ainda potencialmente reversíveis ao normal. A velocidade do estímulo torna-se muito lenta: sístole elétrica lenta.

O fenômeno de injúria ou lesão pode ser representado por um vetor que se dirige da área sadia para a área lesada.

1) LESÃO OU INJÚRIA SUBEPICÁRDICA

A lesão do tecido subepicárdica provoca a descida da linha de base do traçado, sendo então, o complexo QRS inscrito sobre a linha mais baixa e o segmento ST e a onda T sobre a linha primitiva, mais acima. Deste modo, observa-se na Lesão Subepicárdica ou trasmural, o Supradesnível do Ponto J e do Segmento ST.

Critérios diagnósticos:

• Supradesnível do Ponto J e do segmento ST nas derivações que exploram a lesão.
• Segmento ST com concavidade superior.
• Aumento do tempo de deflexão intrinsecóide.
• Aumento do intervalo QT.

SIGNIFICADO CLÍNICO DA LESÃO SUBEPICÁRDICA:

• IAM subepicárdico.
• Angina Variante de Prinzmetal.
• Miocardite ou pericardite aguda.

1) LESÃO OU INJÚRIA SUBENDOCÁRDICA

A lesão do tecido subendocárdico provoca a subida da linha de base do traçado, sendo então, o complexo QRS inscrito sobre a linha mais alta e o segmento ST e a onda T sobre a linha primitiva mais baixa. Deste modo, observa-se na Lesão Subendocárdica, o Infradesnível do Ponto J e do Segmento ST.

Critérios diagnósticos:

• Infradesnível do Ponto J e do segmento ST nas derivações que exploram a lesão.
• Segmento ST com convexidade superior.
• Aumento do tempo de deflexão intrinsecóide.
• Aumento do intervalo QT.

SIGNIFICADO CLÍNICO DA LESÃO SUBENDOCÁRDICA:

• IAM subendocárdico.
• Fase aguda da crise de angina de peito.
• Sinal de positividade da prova de esforço.

OBSERVAÇÕES:

• Onda ou Corrente de Lesão ou Injúria ( Infra ou Supradesnivelamento do Ponto J e do sST), até que prova o contrário, corresponde ao IAM.
• IAM sem supradesnível de ST: O ECG inicial no diagnóstico do IAM apresenta-se com alterações clássicas em apenas 50% dos casos. A repetição seriada dos traçados aumenta a sensibilidade para próximo de 85%. Neste aspecto, tem sido observado IAM identificado pela elevação das enzimas marcadoras de necrose miocárdica, especialmente as troponinas I e T, sem apresentação do supradesnível de ST e sem o desenvolvimento posterior da onda Q de necrose no ECG. A suspeição clínica e a imediata identificação deste aspecto de IAM é muito importante para a melhor evolução e prognóstico destes pacientes.

NECROSE

Conceito: Consiste numa hipóxia tecidual mais prolongada que acarreta danos irreparáveis à estrutura da célula cardíaca provocando degeneração da membrana e a perda da integridade dos componentes intracelulares, culminando com a morte ou necrose da célula, alteração histológica irreversível.

O tecido necrosado, ao longo do tempo, é progressivamente substituído por tecido de regeneração fibroso, inerte elétrica e mecanicamente, funcionando apenas como um tecido condutor do estímulo cardíaco.

A célula necrosada:

• Não gera potencial de ação.
• Não produz vetores.
• Não se despolariza e não se repolariza.
• Não se contrai. Apenas conduz o estímulo.

A Necrose altera o QRS, sendo representada pela Onda Q Patológica e define a existência do IAM.


ONDA Q PATOLÓGICA:

• É aquela de morfologia larga e profunda.
• Maior que 30ms de duração.
• Maior que 3mm de amplitude.
• Maior que ¼ da amplitude total do QRS.
• Em geral, a amplitude e a duração da onda Q patológica correlaciona-se, respectivamente, com a profundidade(sentido endocárdio-epicárdio) e com a extensão (sentido em paralelo ao epicárdio) da necrose na parede ventricular. Assim, quanto maior for a área comprometida, maior será a onda Q em relação ao restante do QRS.
• As morfologias mais representativas da necrose elétrica são: Q-R, Q-S e Q-r.


1) NECROSE TRANSMURAL

• A necrose invade em toda a profundidade (sentido epicárdio/endocárdio) uma parte da parede ventricular.
• Traduz-se no ECG, pela morfologia Q-S.
• A morfologia Q-S associada à T negativa, representa o potencial intracavitário, captado pelo eletródio explorador epicárdico através da área necrosada, situação esta denominada de Janela elétrica de Wilson.


2) NECROSE SUBEPICÁRDICA

• A necrose acomete uma extensão variável da parede ventricular.
• Na dependência do tamanho da área acometida em relação à área sadia, traduz-se no ECG pelas morfologias Q-r, comprometimento maior, ou Q-R, comprometimento menor.
• Quando a área de necrose residual for significativamente pequena em relação à área sadia, pode não ser observada a onda Q patológica, Infarto Sem Onda Q. Neste caso, a necrose representa-se por uma diminuição da amplitude da onda R.


3) NECROSE SUBENDOCÁRDICA

Os critérios diagnósticos da necrose subendocárdica ainda são de difícil reconhecimento. Classicamente, a necrose estritamente subendocárdica não produz onda Q patológica. A maioria dos infartos Sem Onda Q corresponde a esta alteração.


DIAGNÓSTICO TOPOGRÁFICO DA NECROSE

Necrose Ântero-Septal: Onda Q patológica em V1-V2-V3-V4.

Necrose Septal-Média (ou Septal): Onda Q patológica em V1-V2.

Necrose Septal-Baixa (ou Anterior Estrita): Onda Q patológica em V3-V4.

Necrose Ântero-Lateral (ou Lateral): Onda Q patológica em D1-AvL-V4-V5-V6.

Necrose Lateral-Alta: Onda Q patológica em D1-Avl.

Necrose Apical: Onda Q patológica em V5-V6.

Necrose Anterior-Extensa: Onda Q patológica em D1-aVL-V1 a V6.

Necrose Inferior ou Diafragmática: Onda Q patológica em D2-D3-aVF.


FASES EVOLUTIVAS DO INFARTO DO MIOCÁRDIO SUBEPICÁRDICO

1) FASE SUBAGUDA OU PRECOCE: AS PRIMEIRAS 24HS DO IAM:

• Modificação na onda T.
• Manifestação da onda de lesão: Desnível de máxima intensidade do sST.

2) FASE AGUDA OU INTERMEDIÁRIA:

• Ampla manifestação da corrente de lesão: supradesnível do sST com convexidade superior.
• Desenvolvimento de onda Q patológica denotando o infarto do miocárdio.
• Negativação da onda T característica de isquemia subepicárdica.
• Retorno gradual do sST, à linha de base, ao final desta fase.

3) FASE TARDIA: PERÍODO APÓS A 4ª OU 6ª SEMANA DO IAM:

• A volta ao normal do sST pelo desaparecimento da corrente de lesão.
• Permanece evidenciada a onda de necrose.
• Diminuição da amplitude da onda T isquêmica, que ao longo dos meses pode ou não reverter ao normal.

Referência bibliográfica:
GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

Traçado de HEMIBLOQUEIO ANTERO-SUPERIOR ESQUERDO



Observem no traçado os critérios diagnósticos:

• Desvio acentuado do eixo elétrico do QRS para a esquerda, próximo de -60°.
• Padrão Q1S3.
• Duração normal do QRS.
• SD3 > SD2
• Enorme negatividade em D3.

BLOQUEIO COMPLETO DE RAMO DIREITO + HEMIBLOQUEIO ANTERO-SUPERIOR ESQUERDO



No traçado acima observem os critérios:

• Morfologia de BRD: Em V1-V2: R-S-R’ larga ou em meseta e onda T negativa, e em V5-V6: Onda S profunda e onda T positiva.
• Associado ao desvio do eixo elétrico do QRS para a esquerda.

Há ainda os critérios do HBAE: Padrão Q1S3,SD3>SD2.

Traçado de BLOQUEIO COMPLETO DE RAMO ESQUERDO 2

Traçado de BLOQUEIO COMPLETO DE RAMO ESQUERDO 1



Observem os critérios diagnósticos de BCRE presentes no traçado:

• Em V1-V2: Ausência de onda R e presença de onda Q-S espessada ou em meseta e onda T positiva.
• Em V5-V6: Ausência de onda Q e presença da onda R espessada ou em meseta e onda T negativa e assimétrica.
• Duração do QRS maior que 120 ms.

IMAGENS DE SISTEMA DE CONDUÇÃO CARDÍACA







Uma vez formado, o potencial de ação rapidamente se espalha, de célula para célula, através dos átrios direito e esquerdo, promovendo a contração de ambos os átrios. Depois este mesmo potencial de ação aciona os ventrículos por um sistema especial de células que se localizam entre os átrios e ventrículos. Esta via consiste do nó atrioventricular (AV) e na porção inicial do feixe de His. Este sistema é o único que permite a condução do potencial dos átrios aos ventrículos. O feixe AV bifurca-se para formar os ramos esquerdo e direito. No ápice ventricular, os ramos direito e esquerdo do feixe se ramificam nas fibras de purkinge, que carreia o potencial de ação pelas paredes internas de ambos os ventrículos.

Os nó SA e AV, o feixe AV e os ramos do feixe de His e as fibras de purkinge são conjuntamente denominados sistema especializado de condução do coração. Esse sistema está composto de células musculares cardíacas especializadas, e não com nervos. Em um batimento normal, ambos os átrios se contraem quase que simultaneamente. A seguir, há curta pausa (para total enchimento do ventrículo com sangue). Consequentemente, os dois ventrículos se contraem, quase que simultaneamente. Por fim, o coração inteiro relaxa-se e enche-se novamente.

BLOQUEIOS E HEMIBLOQUEIOS

BLOQUEIO DE RAMO DIREITO

Conceito: Define a arritmia em que ocorre um distúrbio da condução do estímulo elétrico em sua passagem pelo ramo direito do feixe de His.

1) BLOQUEIO DE RAMO DIREITO DE 3° GRAU

Conceito: Define a existência de um impedimento total na propagação do estímulo cardíaco pelo ramo direito do feixe de His ou que esta condução se processa com extrema dificuldade e lentidão, sofrendo um retardo maior que 60 ms. A ativação do VD ocorre de modo anômalo, havendo pois, alterações na seqüência dos vetores cardíacos.

Repolarização ventricular no BRD: Os vetores de toda a repolarização ventricular no BRD, podem ser representados por um único vetor resultante septal, que dirige-se para a direita e para cima. A carga negativa do dipólo de repolarização, cujo sentido é inverso à direção, orienta-se para as derivações cardíacas direitas e a carga positiva para a esquerda. Em conseqüência, a onda T está negativa e assimétrica com discreto infradesnível do ponto J e do sSt em V1-V2 e positiva com discreto supradesnível do ponto J e do sSt em V5-V6.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Morfologia R-S-R’, com R’ maior que R, espessada ou em meseta e onda T negativa.
• Em V5-V6: Morfologia q-R-S, com S espessada e onda T positiva.
• Duração aumentada do QRS, maior que 120 ms.

Critérios acessórios:

• Em D1-aVL: Morfologia semelhante a V5-V6.
• Em D3-aVR: Morfologia semelhante a V1-V2.
• Eixo do QRS entre +90° e +120°, próximo a +90°.
• Tempo de deflexão intrinsecóide aumentado em V1.


2) BLOQUEIO DE RAMO DIREITO DE 2° GRAU

Conceito: O distúrbio de condução é parcial, possibilitando a propagação do estímulo com retardo de 40 a 50 ms. A ativação do ventrículo de faz de modo anômalo.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Morfologia R-S-R’, com R’ maior que R, pouco espessada e onda T negativa.
• Em V5-V6: Morfologia q-R-S, com S pouco espessada e onda T positiva.
• Duração do QRS entre 100 e 120 ms.

3) BLOQUEIO DE RAMO DIREITO DE 1° GRAU

Conceito: O distúrbio de condução além de parcial é discreto, possibilitando a propagação do estímulo sem grande dificuldade, o suficiente, porém, para causar um retardo de 20 a 30 ms na ativação da região septal.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Morfologia R-S-R’, com R’ pouco proeminente e menor que R, a onda T pode ou não estar negativa.
• Em V5-V6: Morfologia q-R-S, com S pouco profunda e pouco espessada e onda T positiva.
• Duração do QRS normal entre 60 e 100 ms.


SIGNIFICADO CLÍNICO DO BRD:

No BRD do 3° grau deve-se procurar por uma patologia cardíaca. As principais doenças são: doenças aterosclerótica coronariana, cardiopatia hipertensiva, doença isquêmica aguda do miocárdio, cardiopatia chagásica, cardiopatia reumática, miocardite aguda, esclerose do ramo direito, crescimento do VD, cor pulmonale e cardiopatias congênitas.


BLOQUEIO DE RAMO ESQUERDO


1) BLOQUEIO DE RAMO ESQUERDO DE 3° GRAU

Conceito: Define a existência de um impedimento total na propagação do estímulo cardíaco pelo ramo esquerdo do feixe de His, ou que esta condução se processa com extrema dificuldade ou lentidão, sofrendo um retardo maior que 60 ms. A ativação do VE ocorre de modo anômalo, havendo, pois, alteração na seqüência dos vetores cardíacos.

Repolarização ventricular no BRE: Os vetores de toda a repolarização ventricular no BRE, podem ser representados por um único vetor resultante septal, que dirige-se para a esquerda e para cima. A carga negativa do dipólo de repolarização, cujo sentido é inverso à direção, orienta-se para as derivações cardíacas esquerdas e a carga positiva para a direita. Em conseqüência, a onda T está negativa e assimétrica com discreto infradesnível do ponto J e do sSt em V5-V6 e positiva com discreto supradesnível do ponto J e do sSt em V1-V2.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Ausência de onda R e presença de onda Q-S espessada ou em meseta e onda T positiva.
• Em V5-V6: Ausência de onda Q e presença da onda R espessada ou em meseta e onda T negativa e assimétrica.
• Duração do QRS maior que 120 ms.
• OBS: Em alguns casos, devido a situação espacial do vetor 1 do BRE em relação às derivações precordiais direitas, pode-se observar uma onda R de pequena amplitude em V1-V2, o que não invalida o diagnóstico de BRE.

Critérios acessórios:

• Em D1-aVL: Morfologia semelhante a V5-V6.
• Em D3-aVR: Morfologia semelhante a V1-V2.
• Eixo do QRS entre 0° e -30°, próximo a 0°.
• Tempo de deflexão intrinsecóide aumentado em V5-V6.


2) BLOQUEIO DE RAMO ESQUERDO DE 2° GRAU

Conceito: No BRE do 2° grau o distúrbio de condução é parcial, possibilitando a propagação do estímulo com retardo de 40 a 50 ms. A ativação do VE se faz de modo anômalo, ocorrendo primeiro a ativação da região septal direita e depois à esquerda. Produz-se os vetores em “salto de onda” e a repolarização ventricular está alterada. Estas alterações ocorrem em menor intensidade, comparativamente ao observado no BRE do 3° grau.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Ausência de onda R e presença de onda Q-S pouco espessada e onda T positiva.
• Em V5-V6: Ausência de onda Q e presença da onda R pouco espessada e onda T negativa e assimétrica.
• Duração do QRS aumentada entre 100 e 120 ms.
• OBS: Em alguns casos, devido a situação espacial do vetor 1 do BRE em relação às derivações precordiais direitas, pode-se observar uma onda R de pequena amplitude em V1-V2, o que não invalida o diagnóstico de BRE.

3) BLOQUEIO DE RAMO ESQUERDO DE 1° GRAU

Conceito: O distúrbio de condução além de parcial é discreto, possibilitando a propagação do estímulo sem grande dificuldade, o suficiente, porém, para causar um retardo de 20 a 30 ms na ativação da região septal esquerda.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Ausência de onda R e presença de onda Q-S pouco espessada e onda T positiva.
• Em V5-V6: Ausência de onda Q e presença da onda R pouco espessada e onda T negativa e assimétrica.
• Duração do QRS normal entre 60 e 100 ms.


SIGNIFICADO CLÍNICO DO BRE:

Na presença de BRE deve-se procurar por uma patologia cardíaca. As principais são: Cardiopatia hipertensiva, cardiopatia isquêmica, hipertrofia de VE, degeneração aterosclerótica do ramo esquerdo, miocardites e miocardiopatias. Não é freqüente a presença de BRE em indivíduos sem doença cardíaca.


HEMIBLOQUEIOS OU BLOQUEIOS FASCICULARES

O ramo direito do feixe de His é longo e mantém-se único até alcançar o músculo papilar do VD, e o ramo esquerdo bifurca-se a curta distância da sua origem em 3 sub-ramos ou fascículos que têm entre si múltiplas conexões até formarem o sistema de Purkinje. Estes 3 fascículos se despolarizam simultaneamente.

Fascículo ântero-superior: Conduz o estímulo ao músculo papilar anterior e despolariza as regiões ântero-lateral do VE e a anterior do septo interventricular

Fascículo póstero-inferior: Conduz o estímulo ao músculo papilar posterior e despolariza as regiões inferior do VE e a posterior do septo interventricular.

Fascículo médio-septal: Conduz o estímulo à região médio-septal do VE, despolarizando-a.


1) HEMIBLOQUEIO ÂNTERO-SUPERIOR ESQUERDO (HBAE)

Conceito: Define o distúrbio de condução do estímulo pelo sub-ramo ântero-superior. O estímulo propaga-se pelo sub-ramo íntegro, o póstero-inferior, ativando inicialmente a região inferior do VE, originando o vetor 1 do HBAE. A seguir, o estímulo progride através das ramificações de Purkinje, alcançando sem atraso significativo, a região ântero-superior do VE, originando o vetor 2 no HBAE.

Critérios diagnósticos:

• Desvio acentuado do eixo elétrico do QRS para a esquerda, próximo de -60°.
• Padrão Q1S3.
• Duração normal do QRS.
• SD3 > SD2
• Enorme negatividade em D3.

2) HEMIBLOQUEIO PÓSTERO-INFERIOR ESQUERDO (HBPE)

Conceito: Define distúrbio de condução do estímulo pelo sub-ramo póstero-inferior. O estímulo propaga-se pelo sub-ramo íntegro, o antero-superior, ativando inicialmente a região antero-lateral do VE, originando o vetor 1 do HBPE. A seguir, o estímulo progride através das ramificações de Purkinje, alcançando sem atraso significativo a região inferior do VE, originando o vetor 2 no HBPE.

Critérios diagnósticos:

• Desvio acentuado do eixo elétrico do QRS para a direita além de +120°.
• Padrão S1Q3.
• Duração normal do QRS.

BLOQUEIOS BIFASCICULARES

1) BRD + HBAE

Conceito: Define o distúrbio de condução do estímulo, simultâneo no ramo direito com o fascículo ântero-superior.

Critérios diagnósticos:

• Morfologia de BRD: Em V1-V2: R-S-R’ larga ou em meseta e onda T negativa, Em V5-V6: Onda S profunda e onda T positiva.
• Associado ao desvio do eixo elétrico do QRS para a esquerda, próximo de -60°.

Causas: Cardiopatia aterosclerótica, isquêmica e hipertensiva.

É a alteração eletrocardiográfica que mais frequentemente representa a Cardiopatia Chagásica

OBSERVAÇÃO: Alguns autores preferem classificar o bloqueio como COMPLETO(quando o QRS for maior que 120 ms) ou INCOMPLETO(quando QRS for menor que 120 ms)

Referência bibliográfica:
GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

Traçado de SVE



Observem os critérios de SVE no traçado:
•Em V1 e V2: Morfologia rS com aumento da amplitude da onda S.
•Em V5 e V6: Morfologia R com aumento da amplitude da onda R.
Índice de Sokolow-Lyon: 46mm
Índice de Cornel: 47mm
R aVL: 22mm(>11mm)
Deflexão intrinsecóide: 0,08s em V6(>0,05s)
Padrão Strain na repolarização ventricular.

IMAGENS DE SOBRECARGAS VENTRICULARES


SOBRECARGAS VENTRICULARES

SOBRECARGA VENTRICULAR ESQUERDA

No crescimento ventricular esquerdo haverá predomínio do vetor 3 e ,em conseqüência, tem-se aumento de amplitude das deflexões determinadas por ele que são a onda S de V1 e V2 e a onda R de V5 e V6.

Critérios diagnósticos:

• Em V1 e V2: Morfologia rS ou QS, com aumento da amplitude da onda S.
• Em V5 e V6: Morfologia qR ou R, com aumento da amplitude da onda R.
• Índice de Sokolow-Lyon (Amplitude de S em V1 ou V2 + Amplitude de R em V5 ou V6) > ou = 35 mm.
• Critério de Cornell: Amplitude S em V3 + Amplitude R em aVL > 28 mm (homens) e > 20 mm (mulheres).
• Amplitude da onda S em V1 > 25 mm.
• Soma das ondas RD1 + SD3 > 35 mm.

Em presença de BRE, utiliza-se os seguintes índices para o diagnóstico de SVE:

• R (aVL) > 11 mm
• S(V1) + R(V6) > 40 mm
• S(V2) > 30 mm ou S(V3) > 25 mm.

Em presença de HBAE, utiliza-se os seguintes critérios para o diagnóstico de SVE:

• R(aVL) > 13 mm
• S(V1) + R(V6) > 25 mm
• S(D3) > 15 mm


SOBRECARGA VENTRICULAR DIREITA

No ECG normal há o predomínio das forças vetoriais do VE sobre as do VD. No crescimento ventricular direito, modifica-se esta relação vetorial e por este motivo, altera-se o ECG já nos crescimentos incipientes. Em decorrência do aumento da massa muscular do VD, cresce sobremodo a importância do vetor 3D, normalmente sem expressão eletrocardiográfica, acarretando modificações intrínsecas na despolarização e repolarização ventricular.

No CVD a força vetorial manifesta-se de modo intenso para frente e para a direita, determinando o desvio do eixo elétrico do QRS para a direita, a alça vetorial gira para a direita, o tempo de deflexão intrinsecóide aumenta, em decorrência do tempo necessário para ativação da massa muscular aumentada.

Critérios diagnósticos:

• Em V1-V2: Morfologia R-S com aumento de amplitude da onda R e diminuição da amplitude da onda S, tornando a relação R/S maior que 1.
• Em V5-V6: Morfologia q-R-S ou R-S com diminuição da amplitude da onda R e aumento da onda S, tornando a relação R/S menor que 1.

Critérios acessórios que complementam o diagnóstico:

• Em D1 e aVL: Morfologia semelhante a V5-V6.
• Em D3 e aVR: Morfologia semelhante a V1-V2.
• Desvio do eixo elétrico do QRS para a direita, entre 90º e 120º.
• Tempo de deflexão intrinsecóide aumentado em V1-V2, maior que 35 ms.
• Sinal indireto de CVD é a presença do crescimento do AD.
• Em V1: Onda R maior que S ou o tamanho da onda R maior que 7 mm.
• Em V5-V6: Onda S maior que R ou o tamanho da onda S maior que 7 mm.
• Índice de Lewis igual ou menor que -14 (IL:( (R1 + S3) – (R3 + S1) ).


SOBRECARGA BIVENTRICULAR:

O diagnóstico se faz pela associação dos elementos que indicam o crescimento ventricular esquerdo e direito, mas não são facilmente identificados, o que limita a capacidade diagnóstica do crescimento biventricular pelo ECG.

Traçado de SAD



Observem no traçado os seguintes critérios:

• Onda P com duração normal ( até 100 ms) e amplitude aumentada ( > 0,25 mV).
• Onda P de forma aguda e apiculada.

Traçado de SAE



Observem os critérios de SAE:

Critérios diagnósticos:

• Onda P com duração aumentada ( > 120ms).
• Onda P com entalhe, de configuração bimodal ou bífida e com os ápices separados de 40 ms ou mais.
• Em V1 e V2 haverá predomínio da fase negativa, normalmente de pequena amplitude sobre a positiva.
• Desvio do eixo da onda P para a esquerda, entre -30º e +30º, em geral, próximo de 0º.
• Índice de Macruz (duração da onda P / duração do segmento PR) > 1,7.
• Índice de Morris: Corresponde ao aumento da fase negativa da onda P em V1, expressa pelo aumento de sua área, maior que 0,03 mm/s.

IMAGENS DE SOBRECARGAS ATRIAIS




SOBRECARGAS ATRIAIS

SOBRECARGA ATRIAL ESQUERDA

Produz alteração no ápice e no ramo descendente da onda P, aumentando a sua duração e modificando a sua configuração, tornando-se larga e bífida. Mantém a amplitude normal (máx. 0,25 mV).

Critérios diagnósticos:

• Onda P com duração aumentada ( > 120ms).
• Onda P com entalhe, de configuração bimodal ou bífida e com os ápices separados de 40 ms ou mais.
• Em V1 e V2 haverá predomínio da fase negativa, normalmente de pequena amplitude sobre a positiva.
• Desvio do eixo da onda P para a esquerda, entre -30º e +30º, em geral, próximo de 0º.
• Índice de Macruz (duração da onda P / duração do segmento PR) > 1,7.
• Índice de Morris: Corresponde ao aumento da fase negativa da onda P em V1, expressa pelo aumento de sua área, maior que 0,03 mm/s ou pela duração igual ou maior que 40 mm/s.


SOBRECARGA ATRIAL DIREITA

Produz alterações no ramo ascendente e no ápice da onda P, modificando a sua configuração, tornando-a ampla e pontiaguda. Mantém duração normal.

Critérios diagnósticos:


• Onda P com duração normal ( até 100 ms) e amplitude aumentada ( > 0,25 mV).
• Onda P de forma aguda e apiculada.
• Desvio do eixo elétrico da onda P para a direita, entre +60º e +90º, em geral, próximo a 90º.
• Sinal Indireto: Mudança súbita da amplitude e morfologia do QRS de V1 em relação a V2.
• Índice de Macruz( < 1 ,especialmente em D2 ).

SOBRECARGA BIATRIAL

O diagnóstico de crescimento biatrial é possível pela associação dos elementos que identificam o crescimento de ambos átrios no mesmo traçado. Deve-se principalmente à Cardiopatia reumática crônica com lesões orovalvulares múltiplas como dupla lesão mitral, lesões mitro-tricuspídeas ou na estenose mitral com hipertensão pulmonar.


GOLDWASSER, Gerson P. Eletrocardiograma orientado para o clínico: método completo e prático de interpretação com questões de múltipla escolha e respostas comentadas. 2. ed. Rio de Janeiro: Revinter, c2002. 327p. ISBN 8573096330 (enc.)

Traçado e ECG Normal 1